Mar do Desejo: degustação de trecho...





O lugar era maravilhoso! Do alto da colina podia ver um mar azul turquesa, iluminado pelo azul límpido do céu, lamber com ondas de espumas brancas uma praia de areia azulada. Calculou que o tom da areia deveria ser efeito dos corais, como ocorria na praia de Pink Sands, nas Bahamas.
Então, seus olhos se fixaram na mulher ajoelhada diante do mar: era Juliet Blair.
Alheia ao homem que a observava, Juliet levou a mão ao rosto. Enxugou uma lágrima teimosa. Não conseguia parar de pensar na conversa que tivera com Gavin, e de tudo o que aquilo significava.
Limpou outra lágrima. Lembrou-se do frio no estômago e do horror que as palavras lhe provocaram. Havia uma verdade tão crua naquilo, que não tinha, mesmo, como refutar! Não se tratava exclusivamente dela e da sua sobrevivência. E sim de dezenas de pessoas que dependiam diretamente dos investimentos da Forbes naquela ilha. Pessoas para as quais não podia virar as costas.
Sabia que sua recusa em permanecer no Centro de Preservação da Vida Marinha naquela manhã, apenas protelaria o inevitável. Talvez adiasse em alguns dias o encontro com o Todo Poderoso. Mas, estava convicta de que aquilo lhe daria um tempo para pensar e, até mesmo, estabelecer uma estratégia de ação.
No entanto... quando dois sapatos de cano alto caíram a seu lado, Juliet entendeu que sua manobra redundara em nada!
Ela sequer ergueu o olhar. Permaneceu com os olhos fixos no mar. Lentamente, Ranke se abaixou e se ajoelhou na areia, de frente para ela.
_ Não adianta fugir de mim, Princesa...! Eu acho você!
Juliet assentiu com a cabeça, sem proferir palavra.
Os dedos dele traçaram delicadamente a curva de seu braço.
_ Li seu relatório, Doutora Blair... Especialmente aquele que fala de alucinações no Collingwood. Mas, confesso que ainda estou com dúvidas. E tenho certeza que você pode resolver isso pra mim...
Ela voltou o rosto para ele.
_ Pois não? O que quer saber... Ranke?
Ele ficou tão feliz em ouvir o próprio nome da boca dela, que não se preocupou com a mudança de atitude ou o brilho diferente dos olhos. Sorriu abertamente, brindando-a com o charme das covinhas. Chegou a suspirar de alívio. Como se tudo, finalmente, estivesse se encaminhando para um desfecho feliz, levou a mão dela aos lábios, para beijá-la com carinho.
_ Sabe..._ falou baixinho _ Quando eu estava mergulhando, eu vi uma sereia. Linda! E ela colocava a mão bem assim, na minha..._encostou a palma das duas mãos. Riu da desproporção._ Eu achei que ela tinha as mãozinhas bem pequenas... Mas não. Eu é que tenho essas mãos enormes...!
Juliet engoliu em seco. Desviou os olhos. Era preciso lembrar que aquele homem, que falava daquela forma adorável, era um filho da puta nojento!
Ranke continuou:
_ Mas sereias não existem... não é? Isso significa que fiz amor com uma mulher! Você e seu relatório me disseram que não! Seu relatório disse que eu estava completamente chapado e tendo uma alucinação! Mas... se foi mesmo uma alucinação, será que você poderia me explicar isso aqui... Doutora?
Ele desabotoou a camisa branca, deixando à mostra o peito liso. Delicadamente a peça escorregou pelos ombros e caiu na areia molhada.
Juliet respirou fundo. Gavin estava certo: ela não era freira e nenhuma mulher heterossexual, saudável, ficaria imune ao charme daquele homem, que cheirava de um jeito absurdamente bom! Mas... que merda! O desejo que ele lhe provocava ardia mais que as brasas de uma tortura...!
Ela fitou as manchas que ele lhe indicava. Uma série de marcas roxas no pescoço e nos ombros, resultantes de mordidas. Par piorar, Ranke levou a mão dela ao próprio peito, insinuando uma carícia.
_Está vendo, Juliet? _ sussurrou. _ Pode me dizer o que é isso...?
Ela suspirou profundamente, antes de responder com a verdade:
_ São mordidas, Ranke.
À resposta, ele aprisionou mais uma vez a sua mão. Beijou-a entre os dedos.
_ E como é que pode meu anjo, se o que eu tive foi... uma alucinação?
Ela meneou a cabeça.
_ Não sei. Sinto muito.
A mão de Ranke enrodilhou-se em seus cabelos, e trouxe o rosto de Juliet para perto do ombro. Quando a boca dela encostou-se na pele exposta ao sol, Ranke beijou sua orelha.
_ Me faça um carinho, querida... Essa alucinação mordeu com tanta força...!
Juliet obedeceu. Imprimiu uma sucessão de beijos leves no ombro arroxeado, salpicado de pequenas sardas. Enquanto lutava contra a sensação deliciosa de cheirá-lo foi obrigada, também, a lutar contra a luxúria. Arrepiou da cabeça aos pés, quando ele passou a instruir seus movimentos, sussurrando em seu ouvido:
_ Agora a língua, querida... assim... lambe devagar...
Novamente, Ranke segurou sua mão. Levou-a para baixo. Quando Juliet sentiu o pau duro, chegou a se inclinar para trás. Mas ele manteve a mão dela firmemente pressionada.
_ Por favor...! Não foge não!
Juliet sentiu os olhos arderem. Queria morrer! Se pudesse, sairia correndo e mandaria Ranke para o inferno! Mas onde era longe o bastante para se esconder dele, da sua influência e do seu dinheiro?!
Ela assentiu com a cabeça. Bastou sua anuência para se aproximar e beijá-la várias vezes no rosto até chegar à sua boca. Quando suas bocas se encontraram, Ranke a puxou. Imiscuiu a língua entre seus lábios, lambeu-a, chupou-a... E voltou a fazer tudo outra vez. Quando, finalmente, parou de beijá-la, olhou dentro de seus olhos e pediu com a voz rouca:
_ Chupa meu pau, querida...!
Juliet, mais uma vez, anuiu.
Havia urgência na voz dele. Mais: um calor tão intenso que chegava a alterar a cor de seus olhos. Não eram mais de um azul cristalino e, sim, escuros como um mar de tormenta. Ranke estava transtornado de desejo. No entanto, a despeito da sordidez das circunstâncias, ela foi capaz de admitir ele estava sendo carinhoso.
Observando-o descer a calça cáqui até o meio das coxas, Juliet quase riu. De nervoso. Um pau deslumbrante saltava de uma cueca branca. Em favor do curso natural da vida, sua boca salivou.
Ranke segurou sua cabeça entre as mãos. Beijou sua boca com vontade, entrelaçando a língua na dela. Depois, lhe aplicou beijinhos nas pálpebras, na ponta do nariz, no rosto. Até que... guiou-a para baixo.
Quando a boca de Juliet abriu-se em torno do seu pau, Ranke fechou os olhos. Mas quando ela passou a língua em torno da glande, intrometeu-a no meato, deixou que uma profusão abundante de saliva lubrificasse a mão que o massageava, e começou a chupá-lo com determinação, Ranke espasmou num sibilar profundo.
Nem nos seus mais loucos devaneios, imaginou que ela chupasse tão bem! Juliet sugava a glande, movimentava a boca para cima e para baixo, engolia seu pau até o meio da garganta e voltava a chupá-lo com uma pressão exata, sem lhe dar um pingo de folga.
_ Puta que pariu, mulher...! _ ele sussurrou.
Ranke estava atarantado. A delícia daquilo era tanta que não sabia, exatamente, o que fazer. Parecia justo se deixar conduzir pela estrada que levava ao paraíso, até gozar na boca dela. Mas, ao mesmo tempo, não lhe retribuir o deleite parecia sobremaneira egoísta, porque, meu deus, a mulher chupava que era um espetáculo!
Ranke puxou a camiseta de Juliet até o meio de suas costas e correu as mãos pela pele bronzeada. Nossa! Que pele macia! Impossível não correlacionar pele e boca, ambas macias, ambas quentes, ambas simplesmente deliciosas...
_ Juliet..._ ele dizia baixinho. Voltou as mãos para seus cabelos e começou a socar o pau, bem devagar. Não que precisasse, porque ela movimentava a boca numa mestria artística! Era apenas para se sentir no controle da situação...
Ela permitiu seus movimentos. Quieta, lábios protegendo os dentes, boca e língua envolviam a pica, pressionando-a em movimentos latejantes. Ranke meneou a cabeça. Se continuasse com aquilo iria gozar. Controle da situação... o caralho! ele admitiu. Aquela mulher conseguia fazer dele o que bem quisesse...!
Antes que explodisse num orgasmo e abreviasse a brincadeira, Ranke se afastou. Tirou o pau de sua boca e fitou com ternura os lábios generosos. Então... viu que ela estava chorando.
_ Eu te machuquei...! _ ele sussurrou. _ Nossa, meu anjo, me desculpe! Por favor, me desculpe!
Ranke a puxou para cima e beijou-a na boca, sorvendo a saliva exposta nos lábios. Depois lhe beijou o rosto, procurando secar as lágrimas com seus beijos.
_ Não vou te machucar mais, Juliet...!_ sussurrou de novo_ Vou entrar em você com carinho. Prometo!_ as mãos de Ranke circundaram seus seios por cima da camiseta de algodão. Enquanto eriçava os bicos com a ponta dos polegares, insistia em beijar seu rosto, na tentativa inglória de secar suas lágrimas. _ Vai ser como nas rochas... Quando você gostou... Vou fazer você gozar de novo, meu bem, juro!
Finalmente, ele tirou a camiseta, liberando os seios às suas carícias. Estava louco de vontade de sugá-los, de lambê-los. Mas fez exatamente como prometia: com carinho. Beijou-a na boca mais uma vez e, delicadamente, inclinou o corpo de Juliet ao encontro da areia molhada. Foi descendo os beijos da boca para o pescoço, passando devagar a língua na pele macia.
Ranke abriu vagarosamente os olhos azuis. Enquanto a beijava, ele procurou pelas marcas da sua paixão. Pelas provas indeléveis de que ela havia estava nas rochas com ele: manchas arroxeadas, frutos de seus dentes no corpo dela.
Ele se afastou um pouco, para que a luz do sol substituísse sua sombra e pudesse ver melhor. Mas, infelizmente, foi acometido pela mesma sensação de abandono, quando procurou pela sereia e ela não estava mais lá...
Meu deus... não!
Ranke fechou olhos. Juliet Blair não possuía marca nenhuma. Nenhum hematoma, nenhum arranhão, nenhum roxo, nada! Ela não tinha, sequer, uma marca de biquíni! A única coisa de diferente, era uma corrente de ouro que, junto com um delicado pingente de peixinho branco e azul, brilhavam contra a pele morena.
Deitada sobre a areia, seminua, estoicamente exposta a ele, Juliet prensava o torso da mão contra a boca, chorando silenciosamente...
Mais do que o chão se abrindo, Ranke teve a sensação de perder o céu, o ar, o mar...! Nem mesmo o barulho das ondas parecia existir. Foi como se o mundo todo desaparecesse.
_ Você... não estava lá...?! _ ele sussurrou engasgado. Ao que ela respondeu, girando a cabeça numa negativa dolorosa. _ Brinca comigo, não...! Pelo amor de deus! Não brinca...!
Ranke chegou a segurar seus ombros e fazer menção de sacudi-la. Mas, a expressão abandonada de Juliet funcionou como um tabefe surdo. Para aquela mulher, que acabara de lhe pagar um boquete sensacional, ele não passava de um completo e absoluto estranho!
Ele se levantou completamente trôpego. Foi se recompondo com gestos estabanados, colocando a calça no lugar, fechando o zíper, odiando a excitação que permanecia impávida.
Por fim, ficou diante do mar, com o torso bronzeado contrastando com o turquesa das águas. Não conseguia pensar em nada, em nenhuma justificativa, nenhum pedido bom o suficiente de desculpas. A verdade óbvia martelava na cabeça: ele havia tido, sim, uma alucinação!
Ranke queria se bater. Queria se esmurrar. Queria trucidar cada um dos seus próprios ossos. Mas como não era possível, caiu de joelhos em frente o mar, com um grito profundo de dor. Afundou as mãos nos cabelos e sem o menor constrangimento ou pudor masculino, entregou-se às lágrimas.
Juliet sentou-se na areia e colocou a cabeça nos joelhos. Não se importava com o homem que chorava. Queria mais é que Ranke Forbes se afogasse na própria culpa e, de preferência, se matasse. E, depois disso, também queria que ele fosse para o inferno, de onde havia saído!
_ Me perdoe! _ ele lhe pediu com a voz embargada. _ Pelo o que há de mais sagrado nesse mundo, Juliet! Em nome de deus, me perdoe!
Ela ergueu a cabeça, com um sorriso mórbido nos lábios. Não lhe parecia fora de lugar Ranke clamar perdão em nome de deus. Afinal, o próprio Lúcifer não era o preferido, entre todos os anjos?
_ Posso fazer muitas coisas para você. _ ela respondeu maldosa. _ Afinal, você tem dinheiro, não é?
_ Olha, eu só peço que você... me perdoe. _ Ranke ficou de frente para ela. Fez menção de segurar seus braços, mas parou a meio caminho, sem coragem para tocá-la. _ Eu pensava que era você! Em nenhum momento eu levei a sério, sequer cogitei a possibilidade de ter sido um delírio! Eu estou todo mordido, você viu! Eu pensava que era você, tem que acreditar em mim! Quando vi você no navio... Meu deus! Eu realmente achei que era você a mulher com quem eu tinha transado! Nunca me ocorreu, em momento algum, que pudesse ser outra pessoa, ou... a porra de uma alucinação! Tem que acreditar em mim, Juliet! Pelo amor de deus! Tem que acreditar em mim...!
_ Mas eu acredito. _ ela replicou. _ Sou uma cientista séria e sei exatamente o que esses corais fazem.
Ranke emitiu um sorriso breve. Mas sabia que o fato dela acreditar não significava que iria desculpá-lo. Mesmo assim, insistiu:
_ E pode me perdoar...?
_ Nunca! Aí já é pedir demais. Vou ficar calada, vou fazer tudo o que você quiser, exatamente do jeito que você quiser! Até se cansar de mim! Mas nunca, nunca mesmo, vou ser capaz de te perdoar! _ Juliet se levantou, sem se incomodar com os seios à mostra. _ Não vou negar que você me atrai. Não sou doida, não estou doente e ainda não estou babando! Mas não espere que eu vá atrás de você! Quando quiser terminar o que começou, sabe muito bem onde me encontrar!
Juliet foi andando seminua pela areia, com a camiseta na mão.
_Espere!_ ele ainda gritou. _ Não é o que você está pensando! Eu não quis... Juliet! Espere!
Ela não atendeu ao seu chamado. Continuou andando, vencendo a subida íngreme, e no meio da trilha, enfiou a camiseta pela cabeça, subindo até sumir de vista...
_ Meu deus do céu, o que é que fui fazer?! _ ele sussurrou transtornado, com os olhos azuis turvados pelas lágrimas. 

Comentários

  1. Estou adorando todos os contos e o livro que vc tem escrito aqui! Mal vejo a hora de ler mais.
    Parabéns!

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    Respostas
    1. Valeu, Vê!!!

      Obrigada! Aguarde para breve muitas novidades no Blog!!!

      Abraços,

      Rosa.

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  2. Gostaria de saber quando vai postar os próximos capítulos, estou muito ansiosa...
    Muito bom... grande abraço!!!
    P.S. Pode enviar os capítulos por email?
    ediana_cerqueira@hotmail.com
    Se possível, desde já agradeço!

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