O Homem Perfeito - Degustação de trecho...





        Caminhava com indolência, quase como um felino. Mas vinha atrás de mim não como um cachorro vira latas que segue a pista de uma refeição. A situação, se possível fosse, parecia bem outra. Embora eu estivesse à sua frente e tivesse indicado o prédio, na verdade era eu quem o seguia. 
        A clareza daquilo ficou evidente quando paramos, lado a lado, diante do elevador. Quando a porta se abriu, ele foi o primeiro a entrar. Posicionou-se no fundo, com as costas apoiadas na parede. Eu entrei logo depois. Imediatamente fui seguida por uma profusão impensável de gente, especialmente se considerarmos que era uma manhã de sábado. Foi a turba que me empurrou para ele. 
        Por alguns segundos ficamos frente a frente. Meus olhos se perderam dentro dos dele. Demorou a desviar o olhar para a minha boca. Eu entreabri os lábios. Se ele me beijasse ali mesmo, naquele elevador cheio de gente me espremendo, eu teria correspondido. Mas não me beijou. Mesmo assim, apesar de os seus lábios não terem se encontrado com os meus, minha sensação era de que sua saliva impregnava minha boca.
            Suas mãos pousaram na minha cintura. Girou-me devagar, deixando-me de costas para ele. Com a mesma delicadeza, me puxou de volta, prensando minha bunda contra seu ventre.
            Eu engasguei. Um pau duro encostava-se levemente nos meus quadris, como a perguntar se podia continuar. Fiquei hirta, sem reação. Mas três outras pessoas entraram no elevador quando a porta já estava se fechando, me forçando a dar outro passo para trás. Desta vez, encaixei a bunda na rola que, educadamente, me prestava continência.
            Nossos companheiros se precipitaram para os botões indicativos dos andares. Ele fez o mesmo. Apertou o décimo quinto, o último andar. Eu ergui a mão e apertei o botão do sexto, onde ficava o consultório da minha terapeuta. Quando fiz isso, meus dedos roçaram levemente nos seus. Outra vez, uma descarga de adrenalina me varreu o corpo.
            Abaixei a cabeça. Apesar da reação ao seu toque, minha indicação era clara: eu iria descer no sexto andar. Mas fui ambígua o suficiente para ele entender que precisava me convencer a subir. Rocei meus quadris nele. Apenas isso. Ele entendeu. Suas mãos puxaram-me para trás. Agora, prensada com mais força contra um volume chocante de pica, ele a forçou delicada e compassadamente em meu rabo.
            Eu queria rir. A situação era comum, óbvio. Quantas mulheres não eram fragorosamente bolinadas em elevadores lotados? Contra ou a favor da própria vontade... Como eu mesma naquele momento?! No entanto, a publicidade velada daquele ato, somada à deliciosa excitação que me invadia, mais o temor de ser flagrada num evidente atentado ao pudor, tudo isso funcionou como um coquetel molotov na minha libido.
            Correspondi aos movimentos dele. Com uma intensidade que não sabia de que era capaz, respondi à sua pressão, esfregando a bunda no seu pau. Para a esquerda. Para a direita. Para cima. Para baixo.
            Ninguém se dava conta do que fazíamos. Eu olhava para as pessoas, mas seus rostos permaneciam erguidos para o alto. Olhos fixos no marcador dos andares. O transe hipnótico representado pela sequência dos números, só era cortado quanto o elevador chegava ao andar solicitado. Ao baque surdo e à campainha suave, os olhos subitamente voltavam à vida, escapavam das bocas suspiros de alívio e as pessoas saíam do elevador tão rápido quanto haviam entrado.
            Quando o elevador chegou ao sexto andar precisei fazer a minha escolha. Sair. Deixá-lo. Ir ao encontro da Walquíria e narrar para ela, em detalhes, a minha sarração com um estranho delicioso, no elevador do prédio. Ou ficar. Ir ao décimo quinto. Seguir com ele. Para a lua. Para o céu. Ou para o inferno.
            Ele se afastou de mim. Chegou a levar as próprias mãos às costas, numa atitude clara de que deixava a escolha em minhas mãos.
            Eu tinha segundos para decidir. Ninguém saía do elevador. Alguns olhos se voltaram, correndo em torno, na expectativa de descobrir quem havia solicitado o andar. Ou se a pessoa não havia se dado conta.
            Fingi que não era comigo. E fiz a minha escolha.
Reaproximei nossos corpos. Deliberadamente, me encostei inteira nele. Bunda, costas, coxas, cabeça. Até minha mão. Estendi a mão direita para trás e apertei a curva da sua bunda.
Ele respondeu de imediato. Enlaçou-me com os braços musculosos. Cruzou as mãos abaixo dos meus seios e desceu os lábios na direção do meu pescoço. Depositou um beijo delicado, molhado, macio e morno em minha pele. Eu me senti queimar.
A porta do elevador se fechou. A caixa voltou a subir.
Não nos esfregamos mais. Permanecemos abraçados, colados como duas tatuagens na pele um do outro. Nossa tensão era nossa excitação. Parecia impossível aquele pau ficar mais duro do que já estava. Mas a cada novo andar, a cada novo número, eu sentia aquilo endurecer e crescer no meu traseiro!
Quando o elevador chegou ao décimo quarto andar, restávamos apenas ele e eu. Bastou a porta se fechar atrás do último companheiro indesejável. Suas mãos subiram para os meus seios. Seus dentes morderam o meu pescoço. E eu me voltei para ele, louca de desejo e sem um pingo de juízo. Ou vontade de ter algum.
No atracamos ali mesmo.
Envolvi seus cabelos com minhas mãos. Ofereci meus lábios à boca carnuda que desceu sobre a minha. Chupei com desvario a língua morna que me acariciava. Gemi excitada quando suas mãos subiram por baixo da minha saia, apertaram as carnes da minha bunda e enfiaram a calcinha no meu rego. Quase não agüentei de tesão ao sentir a rola dura se esfregando em meu ventre.
Se o elevador demorasse um pouco mais a alcançar o décimo quinto, teríamos trepado ali mesmo. E não existe outra palavra para definir o que faríamos. Iríamos trepar como dois animais.
O baque surdo e a campainha suave anunciaram a chegada do último andar. O número 15 piscou nas luzes vermelhas acesas pelo visor.
Ele respirou fundo. Parecia fazer um esforço hercúleo para deixar de me beijar e sair dali. Mas pegou minha mão e saímos os dois para a vastidão solitária de um vestíbulo bem decorado.
Por um segundo imaginei que ele fosse me comer ali mesmo. Que iria me jogar na parede, levantar minha saia, afastar minha calcinha e fazer o serviço todo de pé, na loucura foragida de uma transa roubada.
Mas ele sacou um chaveiro do bolso da calça. Puxando-me pela mão, me conduziu para a porta que havia imediatamente à frente. Reparei que era canhoto. Com a mão esquerda um pouco trêmula, girou a chave na fechadura. Quando destrancou a porta e a abriu, fez um gesto educado com a mão, indicando que eu entrasse.
_ Por favor. 





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