Palavra, Palavras e Muito mais do que Quinze minutos...





Enfim, ela respondeu.
Teceu a resposta como sempre, ordenando a réplica a partir dos seus verbos, embora, desta vez, fossem palavras plantadas criteriosamente “ao acaso”. Pistas que apenas ela poderia seguir.

Quantas vezes você se perguntou: será que ela conseguiria?
Será que ela possuía, mesmo, aquela centelha sagrada, de inteligência e sensibilidade, capaz de identificá-lo nas entrelinhas, atrás do amigo e da cafajestagem de uma confraria masculina?
Sim. Não “talvez ou quem sabe”, frutos da sua insegurança machista. E sim... Sim!

Afinal, além de uma inteligência afrodisíaca, ela contava com sua mestria de ofício: a capacidade de manipular mensagens com o talento de um prestidigitador. No entanto, a despeito dos seus arroubos de autoafirmação, você bem que contou com a força erótica que os conecta, a muito mais do que meros quinze minutos...

Agora você está aí. Boquiaberto. Pasmado. Fitando-a vaporosa, através do profile do facebook. E, mais uma vez, o que parecia impossível acontece. Aquilo que ela definiu por “bunitinho juntos”: a capacidade que vocês tem de criarem... palavras.

Você se enleva porque ela ri das suas piadas. Porque ela responde à procura dos seus dedos, acariciando os dela. Porque ela te permite prendê-la entre as pernas, sob a mesa. Porque ela te oferece um mundo de possibilidades, no silêncio, no sorriso e no encontro dos seus olhos.

É urgente levá-la para sua casa, o cenário no qual, por vezes vocês dois, e não só ela, fantasiaram. E, como você previa... Na verdade, como você sabia, nenhuma das suas fantasias chegou sequer perto da intensidade com que vocês se devoram...
Seu cavalheirismo ficou no pretérito simples, há pouco, quando abriu para ela a porta do carro, quando lhe ofertou uma flor, quando elogiou sua beleza e, delicadamente, externou sua saudade.

Mas agora, no presente do indicativo, as paixões e as taras explodem. Ali, na sala, no chão, no quarto, na cama. Sem medo. Sem freios. Sem mesuras.
Agora, você se rende ao feitiço dos cheiros. Da sucessão de sabores que lhe festejam na língua. Do gosto dos peitos. Do gosto dos pelos deixados, exatamente, como você gosta.
Você não teme descer a mão na sua bunda, puxar seus cabelos, morder seu pescoço. E você, também, não se poupa, não mede esforços. Retraça-a com a língua, serena a ardência com a saliva, soletra com os dedos a cartilha de letras que ela esconde dentro de si.

Seu prazer é o dela. E por menos performático que você seja, inclusive desprezando os milenares manuais de sexo, é você, e nenhum outro antes de você, que a come do jeito que ela gosta!

Ela é linda gozando. Espasmando numa sucessão gostosa de orgasmos, de um jeito que só o ser feminino consegue. E são seus. Todos os orgasmos dela são seus. Obra e graça sua!
Por isso você sorri, se permitindo a vaidade. Existe honra maior do que essa?
Existe. Tão inebriante quanto fazer gozar, é satisfazer uma mulher... gozando. A honra é para poucos. E você, dentre todos os homens do mundo, é o único que ela deseja, visceralmente, até a última gota.

Fellatio. É o nome que se dá, em latim, ao prazer que ela tem ao se alimentar de você.
Lassidão. Languidez. Sacrossanta canseira. São as sensações que se espalham por seu corpo, depois que você, humildemente, se rende ao prazer... daquela... boquinha... linda!

É. Você conseguiu. Não brochou. Não gozou antes dela. E apesar de saber que, como temia, deseja ficar ali, para sempre, conversando e beijando, você não sente mais medo. Nem de ser tolhido, nem de ficar sozinho.
Finalmente, você entendeu que na complexa trama do seu Complexo de Peter Pan, ela jamais assumiria o papel da Wendy: a menina que fica em casa, cerzindo as suas meias, te esperando voltar de aventuras para ouvir, feliz, a narrativa dos seus feitos.

A mulher que está aí, nos seus braços, tão lânguida e tão lassa quanto você, jamais perdeu as próprias asas e, muito menos, a capacidade de voar. Por esse motivo ela só pode ser a Sininho, a fada que voa ao lado de Peter Pan, brincando de nunca crescer.



   

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