Súplica



Me come...?
Meus seios estão ardendo!
Pois combusto há dias, há tantos dias, que me perdi na soma refratária dos meus dedos,
Falos que não satisfazem, apenas me irritam.

Me come...?
Entenda que se minhas lágrimas escorrem há meses, em quase todas as horas,
O fazem por desespero.
Por desejo.
Por você.  

Me come...?
Me come assim, sem floreio nem rima,
Embaixo, em cima, de lado, de quatro...
“Que nem bicho”.

Junta essas mãos na minha cintura, me traz de onde eu estiver,
E me fode!
Com força exata e medida, 
Pra eclodir meus orgasmos:
Vadios, insubmissos,
Se derramando, sincopados, 
Na dança da sua pica.

Me deixa ouvir, aqui, no meu ouvido,
Os seus gemidos, a sua voz de tabagista
Seduzindo, me pedindo:
 “Me engole...”

Só porque é você, refaço a poesia da minha vontade,
Nos verbos e substantivos,
Que por tantas madrugadas,
Escrevemos... juntos:

“Porque quero, porque gosto, porque não seria feliz,
De jeito nenhum, sem o seu pau na minha boca
Inteiro e molhado
Escorregando na sua mão...?
Sim! Com a umidade dos meus lábios, com o carinho dos meus dedos,
Nesse momento, entre um e outro beijo
Eu seria capaz de te dizer, com toda sinceridade,
Que a infinitude do momento permite:
Te adoro!
Bem baixinho?
Sim! Bem baixinho, porque a adoração é coisa erótica
E feita para acalmar o espírito
Por isso sim, te chupo e, inteiro,
Te engulo!”

E te  imploro!
Rogo por sua piedade, porque não aguento mais isso:
Esse tesão que não acaba, que não se dissolve no tempo,
Nem com a sua ausência nem com a minha ira.
Faço todas as suas vontades, me arrasto e me humilho,
Me ajoelho, te mando flores, te rezo um terço.
 Mas... por tudo o que há de mais sagrado,

Eu te suplico:
Abandone os verbos, aposente as metáforas
Esqueça das músicas e dos não ditos
Dispense cada uma das entrelinhas
E... me come!










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