O Homem que adorava...


           Ela nem prestou atenção na música. Sequer ponderou sobre o título brejeiro com o qual ele lhe apresentara o link: “música popular brasileira”.
              Ateve-se, é óbvio, às três bucetinhas que desfilavam pelo vídeo, prensadas em bancos de bicicletas ou semi ocultas pela coreografia das mãos.
                Ficou pensando se contava a ele que apreciava o prato e que, não raro, fantasiava com uma ou duas delas... Mas achou melhor nem tocar no assunto. Afinal, além de ser excesso de informação, nenhuma das três lhe interessara. Gostava mesmo era de bucetas de pelos claros, incrustadas em loiras siliconadas, a la Pamela Anderson. Estas, sim, eram capazes de atiçar sua libido, fazer salivar a boca e dançar a língua entre os dentes...
                Mesmo assim, ela se excitou.
                Apesar do cansaço, resultado de um excruciante dia de trabalho, sentiu os seios formigarem, a buceta molhar e latejar. Não por conta da “dança das pirikitinhas” que rebolavam insossas, no vídeo que ele lhe sugerira. O tesão que tomava conta do seu corpo era fruto genuíno da mensagem erótica que ele lhe enviava, através da sugestão...  
                Era ELE o autor da mágica. Ou do feitiço...
                Foi quase instantâneo. Mais uma vez, ela se quedou imaginariamente na cama dele, exposta à festa dionisíaca de seus beijos e à embriaguez da sua saliva, ainda que, para isso, contasse, apenas, com a solidão dos próprios dedos.
                Rendeu-se à memória plástica do seu cheiro, do seu gosto, do seu toque. E à lembrança dos seus gemidos primais, ofereceu-se, inteira, ao langor imaginário da sua língua.
                Por alguns minutos, breves minutos, ele lhe saciou a fome dos seios. Não por apiedar-se da ardência que sua mera lembrança provocava naqueles peitos. Mamou neles, calmamente, docemente, apenas porque no banquete que se lhe anunciava, eles eram... seu antepasto.
                Desceu a língua. E também as mãos. Encontrou seus olhos com os dela e traduziu todas as suas intenções, num único, estonteante e libriano sorriso.
                Devagar, desembrulhando o presente que a calcinha preta ocultava, ele foi desvelando... a sua... buceta.
                Olhou para ela ávido, quase em estado de êxtase, exatamente como um menino que se lança afoito aos presentes sob a árvore de natal.
                O que dizer dela...? Qual adjetivo seria capaz de distinguir a bucetinha voluptuosa, coberta pelo entrelaçamento de pelos finos e escuros, castamente ocultando, sob o encontro dos grandes lábios, o clitóris de todos os gozos...?
                O que dizer dela? Ele pensou outra vez. E decidiu-se. Seu adjetivo era verbete em forma de rima, capaz de ecoar o nome da própria dona: saborosa...
                Jogou longe a calcinha de renda. Deitou o rosto sobre os pelos e esfregou neles a própria barba. Aspirou, com inusitado deleite, o cheiro de fêmea que emanava dela. Teve a fleuma de anotar, mentalmente, a definição do odor: perfume de mulher.
                Só então... “abriu seu presente”. Afastou os grandes lábios com a própria língua, revelando, com contrita adoração, o universo cor de rosa que adjetivava a bucetinha com outras tantas rimas: cheirosa, gostosa, gulosa...
                A mulher, senhora das rimas, serpenteou o corpo sob a sua boca. Enfiou os dedos em seus cabelos e esfregou-se ainda mais nele. Olhos fechados, completamente molhada de desejo, sussurrou seu nome como se ele fosse a própria divindade:
                _ Meu deus... Que delícia!

                                

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