O Três - parte III


            Peguei meu travesseiro e fui dormir na sala.
            Dormi mal. Virei no sofá igual bife na grelha. Tive uma noite do cão. Só preguei os olhos quando o barulho de uma moto denunciou que a vadia estava indo embora.
            Quando acordei, no domingo, já passava das onze. Me arrastei até o segundo andar em busca de um banho de água fria para tirar o peso da cabeça: uma ressaca inusitada causada por pouco mais de duzentos ml de cerveja!
            Quando saí do banho, puxei as cortinas, para deixar o sol entrar. E lá estavam, os dois viadinhos, deitados calmamente numa rede embaixo de um pé de goiaba, ao lado de uma churrasqueira. O moreno deitado entre as pernas do loiro, a cabeça repousada em seu peito, ambos imersos na leitura de um livro.
            Desnecessário dizer que eles estavam lindos... Sem camisa, só de bermuda, barbas feitas... Aquela coisinha loira, linda, de óculos...  Aquela loucura morena, de pele dourada e boca rósea, os dois de cabelos molhados, penteados para trás...
            O moreno me viu. Parecia ter o dom de perceber meus olhos. Mas não fez alarde. Simplesmente comentou com o companheiro. Sem tirar os olhos do livro, o loiro assentiu. Tive certeza de que respondeu: já vi. E, calmamente, docemente, como a querer que eu registrasse cada um dos segundos, foi baixando o livro, a cabeça... E encontrou a boca na do seu amigo.
            Foi a primeira vez que eu os vi se beijando, de fato. Um beijo doce, longo, de línguas entrelaçadas, uma lambendo a outra. Quando terminaram, os dois me fitaram, me encarando, me convidando.
            Nunca pensei que pudesse me excitar vendo dois homens se pegando. E muito menos olhando pra mim com aqueles olhos de cachorro vadio, daqueles que caem do caminhão de mudança e ficam olhando pra gente com cara de fome. Mas eu me excitei. Se eu fosse feita apenas de desejo, teria voado janela afora e aterrissado no meio dos dois.
            No entanto, eu não era só desejo. Eu também era ciúme. E muito! Embora não entendesse, estava com ódio da piranha! Fechei ostensivamente as cortinas na cara deles e fui cuidar da minha vida.
            Nomes. Consegui nominá-los praticamente no outro dia, pela manhã.
            O moreno batia no capô da caminhonete e chamava ansioso:
            _ Fernando!!! Qual é, cara, tô atrasado!
            Estiquei os olhos. Fingi me atrapalhar com o molho de chaves, deixei cair a bolsa, esparramei meus livros no chão. Unicamente para entender quem era quem. Fernando... A delícia loira, a potestade celta que pouquíssimo me sorria, se chamava Fernando...
            Fernando saiu da casa, equilibrando uns seis tubos de projetos, uma pasta e um copo de plástico.
            _ Henri, meu filho, se você parar de gritar e me ajudar vai ser mais fácil!
            Henri... O nome era francês. Mas a perfeição morena, deliciosa combinação de temperos brasileiros, nada tinha de francês. E, convenhamos, nomes próprios não eram suficientes para indicar procedência! Eu mesma não havia tido, no ensino médio, um colega chamado Pierre, soteropolitano legítimo?! Aliás, Pierre fora minha mais insuspeita inspiração para colar uma fórmula de física, de cuja serventia nem me lembro mais: dois bonequinhos gordinhos, com quadradinhos na cabeça, indicavam: 2.π.r² !
            Esqueci Pierre e a fórmula de física. Peguei minhas coisas, agora liberta da ignorância dos nomes de meus vizinhos.
            Henri, solícito, deidade morena que não andava, ondulava, foi ajudar Fernando, lindo, divindade nórdica que me provocava só com os olhos... Entre um e outro eu me sentia mais intimidada justamente com ele, talvez porque sorrisse pouco. Ou, talvez, porque Henri me parecesse mais doce, mais tímido, mais próximo. Quem sabe, efeito de me sorrir mais...?
            Entretanto, naquela manhã, a gostosura morena de olhos quase amarelos, não me dirigiu nenhum sorriso. Como sempre, percebeu primeiro que eu os observava. Vinha descendo os degraus de frente a casa, segurando três dos tubos, mais a pasta de Fernando. Voltou o rosto em minha direção. Não sorriu. Não meneou a cabeça. Não ficou sem jeito. Pelo contrário. O que fez, foi me declarar guerra:
            _ Se você parasse de olhar e fizesse alguma coisa, eu garanto que seria muito mais feliz! Vizinha!
            Engoli em seco. Fernando engoliu o riso. Talvez por consideração. Mas não se dignificou a me pedir desculpas ou me dirigir o olhar. Apenas repreendeu o amante. Não ouvi a reprimenda. Nem precisou, pois Henri redargüiu alto:
            _ Eu quero mais é que ela vá se foder! Ó! Anda logo! Tô com pressa!
            Jogou os tubos na carroceria e se aboletou no banco do motorista. Já foi ligando a caminhonete. Mal esperou Fernando se ajeitar no banco do carona para sair a toda. Fiquei lá, parada, muda, olhos arregalados, mal acreditando no que havia acabado de acontecer!
            Guerra declarada, desejos reprimidos. Sempre foi assim, não é? Depois daquela manhã, Henri não perdeu nenhuma oportunidade de me espezinhar. Em todos os nossos encontros, em qualquer lugar, encontrava uma maneira de me dizer uma piadinha ácida, referência a meu hábito de observá-los.
            De manhã, de frente ao seu portão:
            “Estou colocando o lixo pra fora, viu vizinha? Se quiser dar uma olhada...”
            No restaurante:
            “Vai ficar olhando a comida ou vai comer alguma coisa?”
            Na padaria:
            Está vendo se tem pão quente?”
            Eu não respondia. Desviava os olhos, dava as costas, fingia que não era comigo. Fernando também fingia que não estava acontecendo nada. Mas foi ficando insuportável. A insistência de Henri em me provocar era tanta, que um dia eu perdi as estribeiras.
            Mais uma vez, nos encontramos no supermercado. Mais uma vez eu estava concentrada, olhando o preço de um produto, do qual, realmente, não me lembro mais. Henri veio por trás. Caminhava com uma leveza tão grande que sequer percebi que havia entrado no corredor e estava perto de mim. Sussurrou em meu ouvido:
            _ Está dando uma olhadinha?
            O produto caiu no chão. Achei que iria morrer. Ele emitira um sussurro molhado, deixando que a língua brincasse com o lóbulo da minha orelha. Não bastasse, chegara o corpo muito, mas muito próximo do meu, ao ponto de eu sentir o calor que emanava dele. E ainda erguera o braço forte, bronzeado, e encostara a mão enorme na minha.
            Minhas pernas tremiam como gelatina. Meu coração batia descontrolado. Meus seios quase furavam meu sutiã. Para piorar, ele começou a rir. Uma risada de-li-ci-o-sa, meio rouca, safada. Não era possível suportar aquilo no meu ouvido sem fazer nada!
            Me virei com tudo e o empurrei para longe. Estava possessa de raiva! Indignada, ultrajada, me sentindo, de novo, um brinquedo. Ergui o queixo e parti pra cima dele.
            _ Que é que foi?! Qual é a sua, cara, que é que você quer?!
            Os olhos amarelos de Henri se estreitaram. Ele também ficou puto da vida! Segurou meu braço com uma das mãos e a com a outra ergueu o dedo na minha cara.
            _ Olha aqui, sua dissimulada, Fernando e eu sabemos o que nós dois queremos! Mas e você?! Você sabe? Ou será que não tem é coragem de admitir?
            _ Do que é que você está falando? Você cismou comigo! Você nem me conhece! Não sabe quem eu sou e muito menos o que eu quero!
            _ Ah! Eu não sei?! Mas você é cínica, hein?!
            O bate boca iria muito longe se Fernando não tivesse entrado no corredor e apartado a briga.
            _ Vocês parem com isso! Enlouqueceram?! Os dois?!
            A merda já estava feita. Para piorar tudo, eu me livrei da mão de Henri e me voltei para Fernando:
            _ Dá um jeito no seu namorado, tá? Se você não consegue colocar esse animal numa coleira, chama a carrocinha!
            _ Olha aqui, ó... _ era Henri, sendo contido por Fernando, inclusive com o próprio corpo.
            _ Chega, Henri! Chega!
            Vazei. Podia não estar borbulhando de alegria por ter vencido o bate boca. Mas também não estava me sentindo mal. Fato era que, independendo da intervenção de Fernando, na disputa com Henri eu havia ganhado a batalha. Intuitivamente, porém, eu sabia que aquilo não era o fim da guerra. Uma coisa era vencer uma disputa de nervos com um deles. Coisa bem diferente seria com os dois.
            Perdi a primeira batalha na fila da lotérica.
            Fila imensa. Último dia para uma aposta milionária da mega sena. Último dia para o pagamento do segundo talão atrasado de energia elétrica, mais a fatura do cartão de crédito e o telefone! Sequer podia desistir de enfrentar o monstro que dava voltas ao redor de si mesmo...
            Posicionei-me no final da fila. Imediatamente duas adolescentes ficaram atrás de mim. Por sorte, eu havia levado um livro. Cravei os olhos no texto e me desliguei do mundo. Até sentir um carinho doce, leve: três dedos macios, intrometidos na curva da minha espinha, exposta pelo vão da bata.
            Vire-me de uma vez. As meninas não estavam mais lá. Em seu lugar, erguia-se um deus celta de quase um metro e noventa, cabelos loiros, olhos verdes, barba feita, sorriso que se desmanchava na boca, qual um creme brullé...
            _... Anaiz. _ A voz encorpada, firme, murmurou meu nome. Os olhos verdes passearam por minha boca. Os dedos voltaram a acariciar o alto da minha bunda. Dessa vez, achei que iria mesmo ter um infarto!
            Cheguei a fechar os olhos, a curvar levemente os joelhos, a dar um passo para frente (!) na direção dele...! Não sei até hoje, como simplesmente cedi à carícia... Como apenas permiti que ele continuasse, sem nenhuma reprimenda, nada...! Apenas a minha anuência.
            _ Gostoso? _ disse bem baixinho, de modo que apenas eu podia ouvir. Com três dedos, três maravilhosos dedos simplesmente roçando a curva da minha espinha, Fernando estava me deixando lassa, entregue, sem um pingo sequer de raciocínio!
            _ Seu nome é lindo..._voltou a sussurrar. Passei a língua na boca. Consegui processar que ele sabia meu nome! Mas como...? Abri os olhos, abobalhada. Meneei a cabeça. Não precisei verbalizar a pergunta, pois Fernando respondeu:
            _ O carteiro deixa suas cartas por engano. _ Para me desespero, se abaixou, olhando dentro dos meus olhos. _ Henri e eu pegamos... e enfiamos na sua caixa... Minhas pernas amoleceram. Meus seios intumesceram. Fernando chegou ao cúmulo de emitir um gemido de satisfação, pois percebeu o efeito das suas palavras no meu corpo. Ele sabia, e muito bem, o que estava fazendo. Um movimento leve foi suficiente para eu entrar na zona de calor que o corpo dele produzia. Com os olhos fixos nos olhos dele, murmurei:   
            _ Vocês dois... juntos?
            Através de metáfora, falávamos exatamente da mesma coisa. Da possibilidade de eu transar com os dois.
            É claro que a ideia excitava. Mas a minha excitação não era nem um terço da excitação dele! Bastou que eu verbalizasse o sentido oculto da conversa, para Fernando romper de vez a distância que ainda nos separava. Enfiou a outra mão no cós da minha calça e me puxou. Um volume quase agressivo de pica encostou-se no meu ventre. Baixou a cabeça, na direção do meu pescoço e colou a boca no meu ouvido.
            _ Sim. _ respondeu com urgência. _ Sim! Nós dois, sempre!
            Arrepiei da cabeça aos pés. Minhas pernas começaram a tremer. Precisei me segurar nos braços dele, para ainda parlamentar:
            _ A caixa é estreita...
            Fernando redargüiu com urgência, roçando a língua no meu ouvido:
            _ Mas colocamos um de cada vez. Ao mesmo tempo... só se você deixar...
            O latejar da minha vagina ameaçou me retirar de órbita. Minha calcinha ficou arruinada! Fernando me enlouquecia com aqueles sussurros em meu ouvido... os dedos roçando minha espinha... sugerindo um ménage à trois com os homens mais lindos e sexys que eu conhecia...! Golpe de misericórdia, ele mordeu minha orelha e sussurrou:
            _ Seus seios estão duros...
            _ Seu pau também...!
            A boca de Fernando escorregou do meu ouvido para meu rosto... E dali se encontrou com a minha própria boca. Uma língua doce, macia, trabalhou na minha com a delicadeza de um artista. Fernando não apenas “beijava”. Ele me transportava para outra dimensão, outro mundo, me descolando do mundo real. Na instância paralela na qual eu me encontrava, havia apenas nós dois. Imersa nele, excitada, encantada, eu sairia daquela lotérica sem pestanejar e me deitaria com ele. Mas Fernando não era um. Jamais fora. Havia Henri, sempre. Porque, afinal, eles eram dois.
            _ Você nos aceita?_ Fernando murmurou junto da minha boca.
            Custei alguns poucos segundos para me re-situar na trama erótica que estávamos jogando. A proposta era um ménage à trois. Não uma alusão, um fetiche, uma brincadeira. Era de fato a proposta muito concreta de me deitar com os dois.
            _ Henri me odeia! _ espasmei. E Fernando riu.
            _ Nunca! Anaiz você sabe que isso não é verdade! _ agora ele me sorria um daqueles sorrisos augustos, que nada deixava a desejar ao sorriso deslumbrante de Henri. _ Nós dois somos loucos por você!
            Enfim, a realidade. Se eu ficasse com um teria que ficar com o outro. Se me deitasse com um, teria que me deitar com o outro. E nunca, jamais, em momentos separados. Os dois, juntos, sempre. Na fantasia, na sugestão... Sim, era excitante até não poder mais! Porém... na realidade...
            _ Não sei... _ sussurrei atarantada. _ Não sei, Fernando, sinto muito, não sei...
            Saí da lotérica sem rumo e sem prumo. Deixei-o plantado na fila, com meu livro nas mãos, também sem saber o que fazer. A escolha era minha. O próprio Henri havia jogado aquilo no meu rosto, no nosso bate boca no supermercado. Ele e Fernando sabiam exatamente o que queriam. Mas... e eu? Eu sabia? E se sabia... teria coragem de admitir e de ir até o fim?
            Caminhei. Caminhei e voltei a caminhar, mas minha cabeça permaneceu um trevo. Eu não sabia o que pensar. E muito menos o que decidir.
            Ao entardecer, perdi minha segunda batalha. Apenas para descobrir que não havia mais guerra.
            Quando ouvi o barulho da caminhonete estacionando... e logo depois as portas batendo, senti um frio no estômago. Parecia que a cidade inteira estava em silêncio. Da minha sala, pude ouvir nitidamente os passos dos dois caminhando na direção da minha casa. Consegui, inclusive, delinear os passos de Henri! Ele que não “andava, ondulava...”, que tinha passos tão leves que era capaz de me surpreender, caminhava com passadas firmes e resolutas. Pelo som das suas botas no calçamento, eu senti que Henri estava com os nervos à flor da pele.
            Não me enganei.
            Henri não tocou a campanhia. Bateu com aquela mão enorme na porta da frente e chamou meu nome:
            _ Anaiz! Anaiz!
            Eu sabia exatamente o que iria acontecer. E iria acontecer ali mesmo, na varanda da minha casa. Não adiantaria nada eu fingir que não estava. Hora menos hora, dia menos dia, Henri iria cobrar a sua parte na brincadeira que eu havia jogado com Fernando.
            Abri a porta com a placidez de um condenado. Henri me encarou com os dois olhos castanhos, dourados como caramelos. Mas não foram seus olhos, naturalmente fascinantes, que me arrebataram. Ele cheirava. Meu deus! A criatura cheirava de um jeito que eu nunca havia sentido na vida! Ele cheirava a mato, a terra, a cio! Vindo do trabalho, empoeirado, suado, Henri tinha cheiro de cio!
            Eu apenas suspirei. Não disse nada. Ele muito menos. Sem nenhum intróito, sem nenhuma das preliminares que antecederam meu beijo com Fernando, Henri simplesmente me “catou”. Enfiou a mão em meus cabelos e me pregou um beijo devastador, capaz de provocar, no mínimo, dois terremotos e um tsunami!
            Embora intenso, não era um beijo duro, daqueles que mais incomodam do que satisfazem. Aliás, quem dera! Aquele homem não “beijava”...! Ele me sugava, lambia minha língua, se esfregava em mim, descia as mãos para a minha bunda, me prensava nele, me confundia com ele! Era tão profundo e exigente, que não deixava espaço para nenhum pensamento, nenhuma ponderação, nenhum rescaldo moral, nada...! Eu simplesmente não era mais eu...! Era parte de Henri...!
            As mãos enormes abriram minha camisa. Todos os botões voaram longe. Também não se deu ao trabalho de tirar meu sutiã. Apenas abaixou a peça, liberou meus seios e desceu a boca no mamilo esquerdo. Henri mamou no meu peito como fez com a minha boca. Depois no outro. E depois no outro.
            Eu gemia. Seminua, encostada na porta da minha casa... com aquela criação dos deuses se servindo de mim!
            No intervalo da semiconsciência, entreabri os olhos. Fernando estava escorado na viga da varanda, acompanhando atentamente o amasso tórrido. Eu me senti numa teia. Presa entre mãos, boca e olhos. Querendo ou não, naquele momento, eu estava fazendo amor com os dois. A despeito de ser flagrada num evidente atento ao pudor, eu estava me entregando às taras dos dois.  
            Henri voltou a me beijar. Intrometeu a língua quente na minha boca, me recapturando na simbiose com ele. Prensou-me na porta. Encostou-se inteiro em mim. E me fez sentir a pica dura, roçando-a contra a minha buceta. Se erguesse minha perna... Se simplesmente afastasse minha calcinha... Poderia ter me comido na varanda da minha casa. E teria feito exatamente isso, se ele não fosse dois. Não havia Henri sem Fernando.
            Os olhos amarelados de Henri fitaram os meus.
            _ Nos aceite, Anaiz. Por favor!
            Havia tanta paixão naquilo, que eu quase me compadeci. Ele parecia a beira das lágrimas. Henri me desejava. Tanto quanto Fernando a mim. Mas não havia um sem o outro. Era o que ambos me diziam desde o primeiro dia, desde o primeiro flerte. Jamais me disputariam. Ou eu ficava com os dois ou com nenhum.
            Mais uma vez, não respondi. Permaneci estática, olhos baixos, cravados em suas botas. Henri arquejava na minha frente, esperando... Quando finalmente aceitou que não haveria resposta, me deu as costas e saiu chutado da minha varanda. Passou “ventando” por Fernando e foi caminhando em direção à própria casa.
            Fernando se descolou da viga. Não me disse nada. Simplesmente me estendeu o livro que eu havia deixado com ele, na lotérica. Depois que apanhei o volume, ele também me virou as costas. E foi atrás de Henri.
            Arrastei-me para dentro da sala. Fechei a porta. Vagamente me lembrei que as contas que eu deveria pagar naquele dia estavam dentro do livro. Energia elétrica, cartão de crédito, telefone fixo e celular... Fernando me devolvera integralmente, tudo. Livro e contas. Mas, sem exceção, as contas estavam pagas.


... continua na próxima semana!

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