Crônica de um futuro pretérito


       A vibe dele é assim: gosto de chupar. Saliva. Boca. Buceta. Palavras. Vou te comer na barbearia. Na confeitaria. Na pizzaria. Na cervejaria. Substantivos criativos, verbos no futuro de um pretérito que jamais se concretizam.
            Dedico à ele cada um dos meus palavrões frustrados. Molhados. Suspirados. Gozados... solitariamente na companhia dos meus dedos!
            Ato masoquista, sofrimento auto imposto, namoro à exaustão suas postagens no Facebook. Já pensei sobre isso: por quê? Sei não. Sei apenas que esses são momentos bons do meu dia. Minhas pausas na correria, no trabalho infindo, na poeira, na louça, nas roupas, no ferro, na vassoura, no aspirador de pó, nas letras, no teclado, na contas. Pauso. Olho. Namoro.
            Namoro suas fotos e seu sorriso torto, através de janelas roubadas de outros perfis. Fakes. O último, sempre o último, não descoberto, não detectado. Chego a pensar, até mesmo, que ele gosta disso: desse jogo de espelhos, entre real e falso, imaginário e fantasioso, como se eu fosse outra e sempre a mesma. No canal aberto pelo WhastApp, intimei: me desbloqueia do seu Facebook! E ele: faz um Fake...
Fiz. E como cachorro em vitrine de açougue, namoro a boca que me prometeu beijar. A língua que me prometeu chupar. As mãos que me prometeu estapear a bunda. Os braços que me prometeu amparos. O pau, meu delírio e martírio, razão de toda a minha saliva... que prometeu: me comer!
            Namoro. O quê?! Já pensei também sobre isso. Namoro “o quê”, observo “o quê’, se nada vem, se nada se concretiza no loop infindável desse futuro pretérito imperfeito?!
            Namoro promessas!






Uberlândia, 21 de outubro de 2010. 

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